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OBJETO de Fascínio e Sedução

Aventuras, romances, poesias, crônicas, histórias e estórias, biografias, ensaios, ficção, documentários. Tudo isto é possível a partir das singelas páginas de um livro. O livro assemelha-se a um saboroso prato. Em princípio, parece diferente; mas, quando aguça o paladar tornar-se apetitoso e desejado. Por isto, o livro exerce fascínio e sedução.

É interessante observar a crescente mobilização em torno do livro – um objeto aparentemente simples, mas capaz de seduzir, atrair e contagiar todo tipo de gente. Surgem novas editoras e autores, tradutores, bonitas livrarias, hoje megastores com um atraente visual, material de excelente qualidade e até livro eletrônico. Todo este empenho pretende seduzir ou conquistar o leitor

Mesmo assim, o Brasil ainda conserva vergonhosos índices no quesito leitura. Os muitos esforços ainda não permitem ao país melhor performance no ranking mundial; o país ainda ocupa uma constrangedora posição atrás de dezenas de países. Lamentavelmente, no país das telenovelas, há milhões de brasileiros que nada lêem. Segundo pesquisas divulgadas na Revista do Livro (da Universidade de Brasília), somente 26 milhões de brasileiros têm o hábito da leitura. A propósito, “qual livro você está lendo no momento”?

Curiosamente, os diversos processos seletivos de acesso ao ensino superior obrigam os candidatos a ler importantes obras de literatura. Mas, na verdade, quantos dedicam tempo a esta fantástica aventura? Vencidos pela lei do menor esforço, a maioria dos candidatos contenta-se com limitados resumos que, geralmente, comprometem a essência da obra. Outras vezes, a leitura torna-se mera obrigação. Além do mais, as redações desses vestibulares revelam a grande defasagem dos estudantes na língua. Muitos possuem sérios problemas de comunicação, expressão e interpretação, agredindo profundamente o vernáculo. Uma forte evidência do pouco hábito de leitura dos estudantes. Quer dizer: quem não lê, não escreve.

Até mesmo professores não cultivam o hábito da leitura. Comenta a Prof.ª Ana Maria Machado (que já escreveu 110 livros): “Em nossa sociedade, existe pouca valorização para o ato da leitura. Temos a visão de que a pessoa que lê é alguém estranha, esquisita, sempre escondida atrás dos óculos, além do estereótipo de que não faz sucesso com as garotas ou com os garotos. Assim, desde pequeno, a criança vai aprendendo a valorizar mais o corpo, a malhação, do que a leitura. O ideal de muitos professores recém-formados, por exemplo, é frequentar uma academia e não uma biblioteca”.

Constata-se também que os inúmeros recursos tecnológicos (TV, Informática, Internet) que são por demais úteis à nossa vida, terminam por roubar o tempo precioso e prazeroso da leitura e do estudo.
Grande tarefa também compete aos pais. Eles exercem forte influência na vida dos filhos. Pais leitores geram filhos dedicados aos livros. Pais que não cultivam o hábito da leitura enfrentam dificuldades em ensinar esta lição aos seus herdeiros. Não é por acaso que muitos os livros um produto caro. Gastam com supérfluos, mas, jamais investem na assinatura de jornais, revistas e periódicos, ou na compra de bons livros. Desde a mais tenra idade, a criança deve ser estimulada à leitura de revistas, gibis, livretes. Também, convém levá-las às bibliotecas, livrarias, exposições, feiras, espaços culturais, etc. Quando crescem neste ambiente motivador as pessoas tornam-se capazes de apreciar ou saborear diferentes obras. O livro é indispensável a nossa formação, expressão, criatividade, enriquecimento. O livro pode até definir a formação e a cultura de uma nação. Como dizia Monteiro Lobato: “um país se faz com homens e livros”..

Portanto:
- “Deixe um livro seduzir você”!

(Publicado originalmente na coluna "Sala de Aula", do jornal Cidades em Foco, Sul de Minas)

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